quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Uma prenda de Natal


Estamos quase no Natal, e esta data nunca a vou esquecer.

Há 7 anos estava eu a espreitar através da vidraça da minha janela a rua quando me deparo com algo que me deixou desconcertada.

Estava um frio , mas um imenso frio , e chovia torrencialmente .

Até limpei o vidro que se tinha embaciado, para ver se era real o que estava a presenciar.

O cãozito estava sentado no meio da estrada, como se estivesse a olhar para mim e a pedir tira-me daqui.

Chamei um dos meus filhos.

Apressámo-nos a tirá-lo dali. Ele não se mexia dali, mesmo os carros passando ao seu lado e parecia indiferente à chuva que caía.

Dei-lhe um belo banho de água quentinha, e comer. Agasalhamo-lo.

Tão mansinho.

Começámos a questionar-nos de quem será? Será que se perdeu?

Começámos a estranhar que ia de encontro às coisas, pensamos que fosse de estar fraquinho.

No dia seguinte resolve-mos não o meter na rua, pois continuava a chover.

Acho que ficámos todos apaixonados (família) por ele.

Resolve-mos levá-lo à veterinária.

Ficámos de rastos, a mim corriam-me as lágrimas sem parar.

O cãozito que eu tirara da rua eu acabara de o salvar de uma morte certa.

Era ceguinho dos dois olhos, era já velhote (nem dentes tinha) e um grave problema de coração).

O Yupi como nós já o tinha-mos baptizado aninhava-se no meu colo , como que a pedir protecção.

Olhámos um para os outros e só dizia-mos, como é que a pessoa que o criou foi capaz de abandonar um animal com estes problemas todos.

Ele já era nosso, acho que foi Deus que colocou este presente à nossa porta, como que a nos testar.

Para saber como reagiríamos, como seria nosso poder de amar o próximo, pessoa ou animal.

Só pode ter sido Deus que o colocou no nosso caminho.

O Yupi não via , mas já me tinha adoptado desde o primeiro dia como sua companheira e amiga, todos os passinhos que eu dava ele dava comigo.

Foram dois anos, muito felizes, foi muito amado e querido.

Quando chegou a altura de nos dizer adeus, a veterinária quis abatê-lo, mas eu não deixei, levei-o para casa para o conforto do seu lar e foi nos meus braços, no meu colo que nos disse adeus.

Levantou a cabecita como que a agradecer ter estado connosco.

Ainda hoje passados estes anos recordo-o com imensa saudade.

Também os animais podem ser mais uma das estrelinhas no céu.

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